Neste artigo, apresento um caso onde os seios maxilares muito pneumatizados limitavam a colocação de implantes na arcada superior, e onde tive de combinar várias técnicas diferentes para devolver função e estética ao paciente.
Situação inicial
O paciente apresentava ausências dentárias em ambos os quadrantes superiores e na arcada inferior, com múltiplos dentes comprometidos. A ortopantomografia e o CBCT confirmaram seios maxilares muito baixos, com osso insuficiente para a colocação de implantes nas zonas posteriores superiores.
O paciente tinha uma condição clara: não queria usar prótese removível. Isto obrigou-me a pensar numa abordagem que combinasse diferentes soluções para cada zona, tirando partido do osso disponível e das estruturas dentárias remanescentes.
A solução escolhida
Optei por um plano de tratamento segmentado, adaptando a técnica a cada quadrante conforme as condições disponíveis.
O caso seguiu estes passos:
- 1º Quadrante - Ponte fixa convencional: Como existiam pré-molares e um molar viáveis, aproveitei-os como pilares para uma ponte fixa, resolvendo esta zona sem necessidade de implantes.
- 2º Quadrante - Solução híbrida com implante e overdenture de encaixe: Na zona do 24, onde ainda havia algum osso disponível, coloquei um implante que serviu de pilar para uma prótese parcial fixa/removível de encaixe. Esta solução garantiu estabilidade sem a volumetria de uma prótese convencional, trazendo mais conforto ao paciente.
- Setor anterior - Facetas em resina composta: Para devolver a harmonia estética ao sorriso, apliquei facetas diretas em resina composta nos dentes anteriores, corrigindo forma, cor e alinhamento.
- Arcada inferior - Planeamento digital e cirurgia guiada: Realizei o planeamento digital com CBCT e scans intraorais, e avancei com cirurgia guiada para a colocação de 3 implantes, devolvendo a carga mastigatória total na arcada inferior.
Resultado
Nas imagens, é possível ver a evolução desde a situação inicial com múltiplas ausências e dentes comprometidos, até ao resultado final com todas as zonas reabilitadas. O paciente recuperou a função mastigatória completa e uma estética natural, sem ter de usar uma prótese removível.
É um caso que mostra como a falta de osso não tem de ser um impedimento, desde que o planeamento se adapte às condições reais e combine as técnicas certas para cada situação.
Conclusão
Este caso demonstra que nem sempre precisamos de implantes em todas as zonas para alcançar um bom resultado. Saber combinar pontes fixas, implantes onde há osso disponível, overdentures de encaixe e facetas estéticas permite resolver casos complexos de forma integrada, respeitando as limitações anatómicas e as preferências do paciente.
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