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Incisivo central partido: reconstrução direta numa consulta de urgência

Uma consulta de urgência obriga-nos muitas vezes a tomar decisões rápidas, mas isso não significa abdicar de critério clínico. Quando o problema envolve um incisivo central superior, é preciso devolver função, estética e conforto ao paciente, sem ignorar a biologia dos tecidos nem a previsibilidade da reconstrução.

Neste caso, o paciente chegou com um incisivo central severamente destruído. A estrutura dentária remanescente era limitada, mas ainda permitia uma abordagem conservadora e imediata, desde que fossem respeitados dois pontos essenciais: exposição adequada de estrutura sadia e reforço interno da restauração.

Optei por realizar todo o procedimento numa única consulta, com cerca de 40 minutos, recorrendo a uma gengivectomia localizada, cimentação de um espigão de fibra de vidro e reconstrução direta em resina composta.

Situação inicial

O dente apresentava uma destruição coronária significativa, com pouca estrutura visível para uma reconstrução adesiva previsível. Além da perda dentária, havia também tecido gengival a interferir com a margem, o que dificultava o isolamento relativo, a leitura dos limites e a adesão da futura restauração.

Neste tipo de situação, não basta reconstruir a forma do dente. É necessário criar condições para que a restauração tenha retenção, estabilidade e uma margem biologicamente aceitável. O objetivo foi resolver a urgência de forma imediata, mantendo uma solução funcional e esteticamente digna para o paciente.

A solução escolhida

O caso foi tratado de forma direta, com uma sequência simples mas muito controlada:

  • Gestão periodontal localizada: Realizei uma gengivectomia ligeira com bisturi elétrico para remover os excessos de tecido gengival, regularizar a margem e expor a estrutura dentária sadia necessária para a reconstrução.
  • Respeito pelo espaço biológico: A regularização gengival não foi feita apenas por uma questão visual. O objetivo foi permitir uma margem restauradora mais limpa e mais previsível, evitando invadir zonas que poderiam comprometer a resposta dos tecidos a médio e longo prazo.
  • Cimentação do espigão de fibra de vidro: Coloquei um espigão de fibra de vidro para reforçar a restauração e ajudar na distribuição das forças. Nestes casos, o espigão não “fortalece” o dente por si só, mas melhora o suporte mecânico da reconstrução quando existe pouca estrutura coronária remanescente.
  • Reconstrução em resina composta: Reconstruí integralmente o incisivo central em resina composta, procurando restabelecer anatomia, volume, contacto visual com os dentes adjacentes e harmonia no sorriso.

Esta abordagem permitiu resolver a urgência sem avançar imediatamente para uma solução indireta. A prioridade foi devolver ao paciente um dente funcional e estético na mesma consulta, com uma técnica acessível, conservadora e ajustada ao contexto clínico.

Resultado

Nas imagens, é possível ver a situação inicial, com o incisivo central muito destruído, a fase intermédia com o espigão de fibra de vidro e o resultado final após a reconstrução direta em resina composta.

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O resultado devolveu continuidade ao setor anterior e permitiu recuperar a estética do sorriso numa consulta curta. Apesar de sabermos que uma coroa cerâmica seria, biomecanicamente, uma solução mais robusta e previsível para este dente, esta reconstrução funciona como um excelente compromisso clínico.

É aquele tipo de “provisório” que, quando bem executado e bem acompanhado, pode ter uma performance muito próxima de uma solução definitiva durante bastante tempo.

Conclusão

Este caso mostra que, mesmo numa consulta de urgência, a rapidez não deve substituir o planeamento. A preservação da estrutura dentária residual, o respeito pelos tecidos gengivais e o reforço adequado da restauração foram decisivos para transformar uma situação comprometida numa solução funcional e estética.

Nem todos os casos exigem uma resposta definitiva imediata. Às vezes, a melhor decisão é criar uma solução direta, bem executada, que devolve qualidade de vida ao paciente e mantém abertas outras opções reabilitadoras no futuro.

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