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All-on-6 bimaxilar num caso de desgaste severo e perda de dimensão vertical

Um caso de desgaste dentário severo, bruxismo, perda de dimensão vertical e várias ausências dentárias, resolvido com uma reabilitação fixa All-on-6 superior e inferior, planeamento digital e carga imediata.

Há casos em que a decisão clínica não passa apenas por avaliar que dentes ainda podem ser mantidos. Passa também por perceber o que o paciente procura, que tipo de solução aceita, qual o seu orçamento e que previsibilidade conseguimos oferecer a médio e longo prazo.

Neste caso, o paciente apresentava um desgaste dentário muito acentuado, várias ausências dentárias, perda de dimensão vertical e sinais compatíveis com bruxismo. Embora ainda existissem dentes que, teoricamente, poderiam ser incluídos numa reabilitação, a solução mais adequada para este paciente foi uma reabilitação fixa sobre implantes, com All-on-6 superior e inferior.

O objetivo não era apenas substituir dentes. Era recuperar função, estética, dimensão vertical e estabilidade oclusal, respeitando aquilo que o paciente pretendia: uma solução fixa, previsível e com um tempo de tratamento mais controlado.

Situação inicial

Nas imagens iniciais é possível observar um desgaste dentário extremo, sobretudo no setor anterior, associado a ausência de suporte posterior e perda de estrutura dentária. Este tipo de quadro altera profundamente a oclusão e faz com que as forças mastigatórias deixem de estar distribuídas de forma equilibrada.

O paciente era bruxómano e apresentava perda de dimensão vertical. Além disso, a ausência de dentes posteriores fazia com que os dentes remanescentes recebessem forças para as quais já não estavam preparados. Sem guias funcionais adequadas, o desgaste tende a acelerar.

Perante este cenário, foram discutidas várias possibilidades de reabilitação. A decisão final teve em conta o diagnóstico, a previsibilidade clínica, o orçamento e, sobretudo, aquilo que o paciente queria para a sua vida diária.

A solução escolhida

Optei por uma reabilitação All-on-6 superior e inferior, com carga imediata e posterior realização das próteses definitivas após osteointegração.

O caso seguiu estes passos:

  • Planeamento digital: Digitalizei a boca com scanner intraoral e a face com scanner facial. Esta informação permitiu planear a reabilitação tendo em conta a posição dos implantes, a estética facial, a dimensão vertical e a futura relação oclusal.
  • Extrações e colocação dos implantes: Avancei para a extração dos dentes remanescentes e colocação de seis implantes em cada arcada, criando as condições para uma reabilitação fixa superior e inferior.
  • Carga imediata: Após o planeamento e a fase cirúrgica, coloquei próteses provisórias fixas. Esta etapa permite ao paciente sair com dentes fixos e, ao mesmo tempo, permite testar estética, função, fonética e dimensão vertical.
  • Próteses definitivas: Depois da osteointegração, realizei as próteses definitivas tendo em conta a informação recolhida durante a fase provisória. A provisória não foi apenas uma solução temporária; foi uma ferramenta de validação clínica.

Na arcada inferior, a escolha foi muito influenciada pelo desejo do paciente de ter uma solução fixa sobre implantes e por procurar um tratamento mais rápido. Na arcada superior, o All-on-6 revelou-se também a opção mais previsível e, para este caso específico, mais equilibrada do ponto de vista económico.

Resultado

Nas imagens, é possível ver a diferença entre a situação inicial e o resultado final. A transformação é evidente: passámos de um quadro de desgaste severo, perda de dimensão vertical e ausência de estabilidade para uma reabilitação fixa bimaxilar com reposição estética e funcional.

Caso 17 - imagem 1
Caso 17 - imagem 2
Caso 17 - imagem 3
Caso 17 - imagem 4
Caso 17 - imagem 5
Caso 17 - imagem 6

Mais importante do que o aspeto visual, foi o restabelecimento de uma oclusão mais controlada. Num paciente bruxómano, o desgaste nunca desaparece completamente como risco. O que podemos fazer é criar uma reabilitação mais equilibrada, com suporte posterior adequado, guias funcionais e acompanhamento regular.

Também é essencial controlar hábitos, dieta e todos os fatores que possam aumentar o desgaste. Nestes casos, a manutenção faz parte do tratamento.

Conclusão

Este caso mostra bem que a melhor opção clínica nem sempre é tentar salvar todos os dentes a qualquer custo. Quando avaliamos o paciente como um todo, por vezes a solução mais previsível é também aquela que responde melhor às expectativas, ao orçamento e ao estilo de vida de quem nos procura.

Mais do que dentes novos, este tratamento devolveu função, estética, confiança e estabilidade ao paciente. Cada caso tem a sua história, e cada plano deve ser construído à medida dessa realidade.

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